domingo, 7 de junho de 2009

Vale a pena ler




Entrevista
Filósofo José Gil diz que o Ministério da Educação “virou todos contra todos”
2009-05-29 22:44:00 Clara Viana


PÚBLICO - No seu último livro apresenta o “homem avaliado” como sendo
a “figura social do século XXI”. Trata-se de facto de uma alteração
radical? Ser-se avaliado não é propriamente uma novidade destes
tempos.

José Gil - Estamos a falar de uma situação generalizada na sociedade
dita da modernização. Não é só em Portugal, é em toda a Europa. Não há
duvida que não pode haver aprendizagem sem haver avaliação e que toda
a aprendizagem, a mais arcaica que se conheça, a aprendizagem do
discípulo que tinha um mestre na Renascença, na pintura, ou na Índia
com um yogui que ensinava um discípulo. Em todas essas práticas há
avaliação. Quer dizer a avaliação é inerente, necessária, à própria
aprendizagem.

O que é que, se é que, se transformou nesta tal sociedade da
modernização? O que é que se fez, modificou na ordem de relação entre
aprendizagem e avaliação para que se possa falar agora de um homem
avaliado para o século XXI? Tenho a impressão que há vários factores.
Primeiro há um factor que acho fundamental. É que a avaliação arcaica
era uma avaliação não quantitativa. Era uma avaliação mais qualitativa
ou intensiva. Depois a avaliação tende a tornar-se funcional e se
possível, quando possível, quantificada, desenvolvendo parâmetros.

E incluindo nesses parâmetros o próprio terreno de aprendizagem que
não é quantificado. Há sempre na aprendizagem aquilo que se chamava
antigamente na filosofia, e hoje também, a intuição. A intuição é
fundamental porque se aprende à sua maneira. Não é um dado formal,
universal, que se possa definir da mesma maneira para todos.

P - Não se pode comparar, quantificar?

JG - Não. O que se põe agora nos parâmetros e critérios de avaliação,
que se multiplicaram, é uma espécie de factores analisados,
decompostos, daquilo que era o terreno da intuição. Por exemplo,
mede-se a criatividade. Ora a criatividade o que é? O que é a produção
do novo? Como é que se inventa? Quais são os processos de invenção?

Como sabemos, na ciência, a invenção está muitas vezes fora da
escolaridade, do ensino, das regras. São as pessoas um bocado
desviantes que fazem as maiores descobertas e depois tornam-se Nóbeis,
etc. Isto tudo é abolido pelo controlo da avaliação. Quer dizer vai-se
abolir a singularidade, a capacidade de inovação, porque se integra
este terreno da intuição numa aferição da performance, do desempenho,
que é quantificável.

Ameaça à criatividade

P - O que é que propicia essa mudança? É a globalização? O modo de produção?

JG - Acho que é absolutamente o modo de produção. O economicismo não é
só português, é por toda a Europa. O que significa que os critérios de
avaliação que vão transformar essa intuição, essas capacidades, esse
acaso que há em nós, e que pode provocar cruzamentos que, de repente,
fazem nascer qualquer coisa, vão ser formatados, vão ser avaliados. E
como não se pode avaliar isso, as pessoas que vão ser submetidas a
essa avaliação vão ser homogeneizadas, o que conduz à morte da
singularidade. E isto é muito importante.

O que aconteceu foi, portanto, uma inversão a ordem de subordinação
aprendizagem/conteúdos, por um lado, e, por outro lado, a avaliação
.Quer dizer que a avaliação multiplicou os seus parâmetros e absorveu
o terreno da aprendizagem, de tal maneira que passou a ser o critério
que vai definir a aquisição de conhecimentos, os resultados da
aprendizagem, etc. Antigamente era o contrário. A avaliação, por um
lado, já estava integrada e subordinada à formação do indivíduo e à
aquisição de conhecimentos e integrada num, terreno em que se mexia
também toda uma série de factores de que nós não podemos ter,
felizmente, o controlo. Que são os factores da criação.

P - As utopias políticas do século passado anunciaram um “homem novo”.
A avaliação, como a descreve, aponta para um homem com uma postura de
subordinação. Qual é o objectivo que está subjacente?

JG - A formação de uma subjectividade adequada às exigências da
economia da globalização, da economia que vem aí, cujo eixo principal
é o capitalismo, de que nós talvez ainda nem conhecemos as formas. Mas
isso parece-me evidente. E o que é mais paradoxal é que nunca se falou
tanto em criatividade, em inovação como agora, quando se estão a impor
os meios de um controlo para que a inovação, criatividade,
desapareçam.

P - Institui-se a avaliação como meio de controlo, como relação de poder?

JG - É uma questão de controlo e uma questão de poder. Isto não vai
fazer desaparecer a inovação, não vai fazer desaparecer as grandes
descobertas científicas. O que vai fazer é criar um hiato, uma
separação cada vez maior. Vai haver uma elite hipercientífica,
filosófica não sabe, hiperespecializada, e essa sim poderá inovar.

Para os outros estamos a multiplicar os parâmetros de avaliação,
absorvendo essa margem de indeterminação num espaço de controlo cada
vez maior. E com isso estamos a acabar precisamente com a
experimentação interior, o erro possível, a liberdade interior que é
possível e necessária à criação.

Há uma multiplicação extraordinária da extensão da avaliação. Hoje
todos somos avaliados. Em tudo. Avalia-se as performances sexuais, as
performances desportivas, psíquicas

P- Parentais

JG - Parentais, cognitivas. E tudo para um fim que é predeterminado, a
produtividade. Estamos a querer cobrir toda a margem da actividade
pelo conhecimento. É por isso que se diz que é uma sociedade de
conhecimento. Quer dizer não estamos, estamos a fazer como se devesse
reduzir ao máximo, e imediatamente e rapidamente, o campo da
ignorância. Ora o conhecimento vem da ignorância. É preciso que haja
não conhecimento, que haja ignorância, que haja qualquer coisa que não
está imediatamente lá. E isto porquê? Porque o conhecimento é
relativo. Ora a julgar que estamos a esgotar todo o campo da
actividade de criação, quando não é isso, é qualquer coisa que nós não
sabemos o que é, e que talvez seja necessários que não saibamos para
que haja criação.

Relação afectiva foi destruída

P- Pode-se dizer que o modelo de avaliação aprovado para os
professores do ensino básico e secundário constitui uma
exponencialização do fenómeno que descreveu?

JG – Absolutamente, porque, para empregar a sua palavra, houve uma
exponencialização dos parâmetros. É incrível o número de parâmetros,
das grelhas de avaliação, das propostas. Sem se saber como é possível.
Em Portugal passou-se uma coisa muito má. Tudo aquilo, a avaliação que
o Ministério propõe, com que não estou de acordo, pressupõe uma
relação entre professor e aluno que foi destruída.

Quando se vai aferir numa grelha de avaliação a relação afectiva entre
professor e aluno, porque somos muito espertos e sabe-se que a
afectividade

tem uma importância enorme na cognição, na aprendizagem cognitiva. Mas
a relação afectiva foi destruída.

P - Não estava já a sê-lo antes?

JG - Tem vindo a ser destruída, mas actualmente a sua destruição foi
precipitada pró esta reforma. E pelo tratamento a que os professores
foram submetidos. É preciso que o professor uma autoridade
espontânea. E idealmente não tenha que a exercer. A relação antiga do
mestre e discípulo na Renascença, por exemplo, é essa. Não é uma
relação de poder.

P - É uma relação de reconhecimento?

JG - Em que o discípulo vai aprendendo para chegar ao ponto em que ele
vai estar no máximo das suas possibilidades. Não é uma comparação
entre mestre e discípulo. Ele já não precisa do mestre e é o mestre a
dizer-lhe: ‘Vai-te embora’. Isso já não existe agora, mas é um modelo
de que nós precisamos, de certa maneira.

Nas crianças, na escola primária, a relação afectiva com a professora
é fundamental para as aprendizagens Se se corta esse laço aquilo dá
imediatamente impossibilidades. É um obstáculo.

Posso dizer, toda a gente pode dizer, que um dos efeitos da politica
do Ministério da Educação foi virar todos contra todos. Virou-se os
alunos contra os professores. Como é que é possível dar uma aula nas
condições que me contam os meus alunos, que são hoje professores?

P- É uma característica que também já vem de trás, que não é apenas
responsabilidade deste Ministério. É também da comunidade, das
famílias?

JG – Sim, mas o que se fez foi precipitar uma tendência que deveria
ter sido estancada. Denegriu-se ainda mais, com aspectos que nós
conhecemos, que são denunciados, e que são verdadeiramente
insuportáveis. Não é só a arrogância de que se fala, é o desprezo.
Depois ser desprezado pelos alunos. O desprezo leva ao desprezo que os
alunos podem ter e podem exprimir. Quem és tu? diz o aluno para o
professor. Como é que quer que haja grelhas de aferição da
aprendizagem ou que haja aprendizagem que funcione neste esquema?

P- Parece ser a vertente esquecida, quando é fundamental da escola, a
aprendizagem

JG- A aferição, a avaliação, tem de decorrer dos conteúdos e não o
contrário. E isto foi feito com multiplicação amadorística, nada
profissional, era quase para cobrir uma falta de pensamento sobre o
que ensino, sobre o que é ensinar, sobre o que a formação. Não estou
falar em velhas ideias humanista de formação. Sei que é preciso outras
coisas novas. Mas disso tem que se falar. O que é que se ensina, como
se ensina? Como desenvolver uma curiosidade que preexiste na criança?
Hoje ninguém mostra curiosidade. Não há curiosidade. Porquê? Depois
aparecem as arrogâncias da ignorância, que é o pior que há.

Você não existe

P– No seu entender, qual é o objectivo deste modelo de avaliação?

JG - Em Portugal havia uma espada de Damocles sobre o Ministério,
todos os Ministérios, que é o dinheiro. Por outro lado, há um problema
real de que os sindicatos não falam.

A nossa escola não estava boa. Muitos professores, ou pelo menos uma
parte deles, não têm qualificações. Com a avaliação, alegadamente,
matavam-se dois coelhos: reduziam-se as despesas, reduzindo o pessoal,
e punha-se fora os que não eram bons.

Mas o que é que aconteceu?. Muitos dos que eram bons é que saíram.
sairam. Porquê? Não aguentam. E o que é que eles não aguentam? Não
aguentam não poder ensinar, não aguentam não poder ter uma relação em
que precisamente se construa um grupo em que o professor age, em
aprende ensinando, em que os alunos querem.

Tem que haver avaliação. Não pode é haver a inversão da subordinação
da avaliação porque agora se estuda para se ser avaliado. Veja as
Novas Oportunidades, para que é que serve?

P- Para fornecer um diploma?

JG- É o chico-espertismo que entrou na escola. Vamos não trabalhar
para obter um diploma.

P- No seu livro alega que há como que um objectivo maior. Conjugando
as políticas e omodo como o Ministério reagiu à contestação dos
professores, está-se perante uma estratégia de domesticação?

JG- Isso parece-me evidente. É um projecto maior, que talvez não seja
muito consciente na cabeça dos nossos dirigentes e, em particular, na
do primeiro-ministro José Sócrates.

A ideia intuitiva, ele ainda tem intuições, é a de que o autoritarismo
é um método económico. Resolvem-se mil coisas. Há essa ideia: funciona
ser autoritário. Uma vez vendo que funciona, vamos estender. Os
portugueses querem um certo autoritarismo, nós todos, que estamos
desnorteados, perdidos. O autoritarismo é um meio de governo. Não é
traço qualquer. E como não há quase resposta a este autoritarismo, ele
rebate-se, plasma-se, na realidade.

P- Mas existe contestação. Por exemplo, precisamente por parte dos
professores ao longo de todo este ano.

JG - E qual foi a resposta do Governo? Foi uma resposta autoritária
extraordinária que foi dizer: você não existe. Faz-se como se 120 mil
manifestantes não existissem e isso vai paralisar, vai desmoralizar. A
primeira fase é a perplexidade, depois vem o desânimo, depois vem a
depressão. Certamente que muitos que pediram a reforma antecipada
estavam na manifestação.

P - Ficámos com uma escola pior?

JG- Arriscamo-nos a isso. A escola já não era boa. A escola precisa de
reformas, é necessário pensar uma avaliação, mas para pensar uma
avaliação temos primeiro que pensar em conteúdos. A primeira das
coisas a fazer é revalorizar os professores, agora. A relação geral
dos alunos relativamente ao saber é de rejeição. A ideia do professor
como alguém que abre as portas para o mundo acabou ou está em vias de
acabar. Isto tem de ser restaurado.

Depois tem que se parar com a avaliação multiplicada a todo o
instante. Estamos sempre a comparar-nos. O mal desta avaliação é que
ela compara e a competitividade, a rivalidade, que existem numa
escola, que são necessárias para a aprendizagem, torna-se inveja.

O chico-espertismo

P - A avaliação entre pares, defendida neste modelo, pode acentuar
ainda mais esse risco?

JG- Por mais voltas que dê, não vejo como isso possa ser feito no
clima actual. É muito mais propícia que toda uma série de rivalidades
não saudáveis comecem a aparecer, para que novamente a esperteza
arranje canais para que a avaliação seja deturpada, mascarada. Para
mim, é envenenar ainda mais. A avaliação tem de ser feita por um
terceiro. Alguém de fora, mas da mesma disciplina. Não pode haver
professores de Educação Física a avaliar um professor de Português.

P- O chico-espertismo de que fala é uma característica dos
portugueses, que encontrou agora um campo mais propício?

JG - Foi o Marcelo Rebelo de Sousa que disse que Sócrates era um meio
chico-esperto. Quando há uma característica pessoal de um chefe e este
tem a possibilidade de a tornar real, transformando mecanismos
psíquicos em comportamentos, isso provoca patologias colectivas. Mas
patologias não só das pessoas, como patologias do funcionamento dos
serviços. E o que parece estar a constituir-se é um chico-espertismo,
uma palavra horrível.

P – O que é espera do próximo ano lectivo?

JG – Nada. Eu estou desolado. Estou desolado com o que está a
acontecer, porque esperava muito da educação.

P- Nesta legislatura?

JG- Sim, no princípio. Mas foi muito rápido ver que a coisa não ia
bem. É uma oportunidade perdida. Quando ouço os economistas dizerem
que Portugal pode ficar entalado, há qualquer coisa no meu ser
português que vibra mesmo. Porque podíamos ser outros. Temos terrenos
de afectividade em escolas que já não existem noutros lados. Considero
muito grave a quebra do laço entre alunos e professores. É tudo mal
feito. Há que inflectir, revalorizar os professores.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Levanta FEERVURA


NAO DEIXES ABNRANDAR O LUME!!!!!

testemunho( só para recordar...)



Sou arquitecta, licenciada há cerca de 5 anos. Era um sonho desde miudinha, que depressa se tornou um pesadelo...

Comecei por fazer um estágio não remunerado, praticamente obrigatório e dado generosamente por exploradores, que nada mais querem do que subir na vida à custa das fragilidades do sistema e de quem ainda pouco sabe da vida propriamente dita.

Findo o estágio, e já com o titulo de Sra. Arquitecta, tive a "felicidade e a sorte" de arranjar emprego a recibos verdes. Estou nesta empresa há 3 anos a passar falsos recibos verdes, a cumprir o horário de um trabalhador normal, e todos os requisitos de uma pessoa contratada, inclusivé até mapas de horas tenho de assinar.

Lido constantemente com descriminação sexual, com chantagem emocional e desconto cerca de metade do que ganho para o Estado, para ter direitos....e pergunto eu: quais direitos? Não posso ficar doente, porque me descontam no salário, não posso ser mãe, porque não tenho como sobreviver sem ganhar... vivo com medo, ainda assim de ser despedida porque não tenho subsídio de desemprego, e ainda recebo 11 meses, quando o normal são 14.

Juntando a tudo isto, temos agora aliada a "CRISE" em que todos temos que dar o máximo e trabalhar mais e mais para que ninguém tenha que ser dispensado, uma forma singela de ameaçar, chantagear e explorar.

Que mais posso eu querer...se trabalho como os outros e cumpro com todos os deveres e mais alguns, e estes são os meus direitos, ou seja, nenhuns!!!

Apenas consigo olhar para a frente e ver um futuro brilhante....em que por este andar, nunca vou ter a minha própria vida, uma vida normal, mas deve ser pedir muito!!!
Publicada por FERVE em 17:00
Etiquetas: Testemunho
12 comentários:

Anónimo disse...

Ibdem aspas aspas. Maternidade... quando, se nem a uma consulta médica consigo ir? E trata de trabalhar também ao fim-de-semana, e ganhar metade de quem trabalha de vez em quando...
21-05-2009 20:36
Anónimo disse...

e eu que me "despediram" e ao mesmo tempo, o gabinete onde trabalhava apresentou uma candidatura ao IEFP para poder receber 3 estagiários do fanástico programa de incentivo ao EMPREGO INOVJOVEM!O Gabinete tem,ou não tem trabalho?! Disseram-me que eu ia ser dispensado pois não havia trabalho para mim, mas afinal....
22-05-2009 10:28
Anónimo disse...

Identifico-me com o que aqui foi descrito e o problema é que já ando nisto há 6 anos e não vou para nova. Pergunto se valerá a pena adiar indefinidamente a vida por um trabalho sem direitos.
22-05-2009 14:52
armando disse...

Cara arquitecta,
trabalho há 12 anos em arquitectura paisagista, 8 dos mesmos na mesma empresa. sempre a recibos verdes.
8 anos de recibos verdes na mesma empresa, na qual tenho um horário fixo, extrapolado por vezes para 10ou mais horas diárias, fins de semana incluídos.
como gratificação, um recibo verde no final de cada mês. prometo que se algum dia venha a ficar incapacitado, arrastarei a minha cama para a porta do atelier.
cumprimentos
23-05-2009 11:47
anónimo disse...

É verdade!!!Sinto o mesmo.
Andamos nós uma vida inteira a estudar, para termos um futuro melhor, fazendo sacrificios juntamente com quem nos apoia e suporta para que sejamos alguém.
Para quê?
Onde está o futuro?
Onde estão os direitos?
Quando vamos ter a nossa vida, quando vamos poder ser pessoas normais e termos a nossa independencia,a nossa estabilidade, para podermos realizar o sonho de qualquer mulher, casar e ser mãe...desta forma nunca!
VIVEMOS NUM PAIS DE HIPOCRISIA E DE FAZ DE CONTA, QUE SÓ NÃO VÊ O QUE NÃO QUER, POIS AS SITUAÇÕES ESTÃO DIANTE DE TODOS OS OLHARES!!!!!
É triste, muito triste...e chegamos a um ponto em que nos sentimos cada vez mais fragilizados, deprimidos, e sem forças, porque não temos alternativas, ficamos encurralados numa situação que não temos como mudar, e acabamos por nos sugeitar a muito tipo de coisas, porque precisamos de trabalhar e ganhar dinheiro para sobrevivermos...embora que cheguemos a um estado, em que fazemos tudo praticamente de uma forma mecânica, pois não há, nem pode haver motivação para nada.
23-05-2009 17:17
Revoltado disse...

infelizmente vivemos num pais onde a internet, Mac Donnalds e empréstimos para um Honda Civic são fáceis, logo como o brasileiro diz "Português chora muito de barriga cheia", então porque ter pena deste povo? Choram e choram mas para agir não estão cá, a revolução de 25 de Abril já foi e agora estão todos GLOBALIZADOS, patrões mandam e nós pedimos desculpa, lá vamos nós votar PS ou PSD novamente ou então ficamos a descansar e a aproveitar o domingo.

Quem estiver bem que vá votar, que eu não acredito na politica.Sarcasmo?
23-05-2009 21:48
Anónimo disse...

Infelizmente tb sou arquitecto.
Estou exactamente na mesma situação!
Há 6 anos.

Ganho 1000e
-200e seg.social
-200e iva
-200e retenção na fonte
=400e

Ainda tenho de pagar as cotas para os malandros da Ordem que nada fazem por mim.

Como se isto não chegasse agora andam por ai os meninos das Finanças a brincarem ás multas com a declaração anual de IVA.

Já nem sei se entregue este ano ou não!

Por Favor!

Só vejo subsídios para todos os que não trabalham.

Isto é a caça ao trabalhador.

Tenham piedade de nós!
26-05-2009 16:17
Anónimo disse...

Não adiem os vossos projectos, vossos sonhos por causa da precaridade laboral, fiz isso e arrependi-me. Há coisas que se perdem no tempo e porquÊ? PORQUE ESTAVA A SER ESCRAVIZADA COM JURAS DE MELHORIAS E AINDA NÃO TINHA ABERTO OS OLHOS...nem melhorias nem nada....mas o trabalho ficou todo feito, pois é.
26-05-2009 23:32
Anónimo disse...

identifico-me com tudo que aqui foi dito!Também sou arquitecta e desde que terminei o meu curso faz 3anos que procuro trabalho, alguém que me valorize e que me respeite profissionalmente!!infelizmente n me pareçe nada fácil,começo por colaborar nuns trabalhitos aqui outros acolá mas simplesmente sou usada explorada e mal remunerada!!e isto se chegar a receber o acordado,de forma apalavrada!! continuo numa situação precária e sinceramente n vejo um futuro enquanto o mercado de trabalho estiver todo minado de exploradores que vivem a custa dos estagiarios!!Mas uma coisa podemos todos nós ter a certeza, a arquitectura para alguns é uma forma de se ganhar muito muito dinheiro!!Agora já não estarei tão certa se a podemos caracterizar como arquitectura, porque isso já não calha a todos!!
Infelizmente ja me passou pela cabeça que o sonho que tive de pequenina me saiu muito caro,a mim e aos meus pais claro!!Será que valeu a pena??N teria sido melhor acabar o secundário e ir trabalhar para um shopping??Por esta altura ja teria alguns direitos(melhor que nenhuns), algum dinheiro no banco e podia pensar em ter vida própria,independente!!Mas não, continuo nesta vida que nem pa frente nem pa trás e a espera que talvez um dia me apareça um padrinho, mas daqueles com força e poder!!Talvez ai com a utilização da nova moda portuguesa, a cunhogracia, ja a minha vida melhor...!!RESTA-ME AGUARDAR E TER MUITA MUITA PACIÊNCIA..
27-05-2009 16:53
Revoltado disse...

"!!RESTA-ME AGUARDAR E TER MUITA MUITA PACIÊNCIA.."

infelizmente é o que o sistema te obriga a pensar, e se em vez disso te revoltares??? Tentar combater a "cunharia", sei que a internet é um meio onde as pessoas se podem exprimir sem sentir represálias ou qualquer sentimento de perseguição, demonstra a tua revolta, não tenhas paciência e diz o que te vai na alma sobre o assunto, temos que nos juntar TODOS.

Se não tens fé na politica faz o favor de ir votar no próximo dia 7 contra PS e PSD, vamos criar uma comunidade contra este Sistema, VAMOS NOS UNIR CONTRA estas barbaridades, desculpem a falta de raciocínio destes comentários so que a "raiva" é tanta que não consigo pensar correctamente...
29-05-2009 9:23
Anónimo disse...

apesar de estar na area da saúde, sou fisioterapeuta há 5 anos, estou em igual situação.com as mesmas dificuldades, as mesmas angustias,sem direitos sociais e os mesmos falsos recibos verdes...
nunca pensei que quando fui para a faculdade eu e todos os jovens da minha geração, de varias áreas, estivessemos todos assim, dependentes de exploradores e ver a nossa juventude ir pelo cano abaixo... nao podemos fazer quaisquer planos...pois a qualquer momento além de irmos para a rua...nem direito ao subsideo de desemprego temos...
eu estou farta de esperar que chegue de facto uma proposta de contracto, pois onde trabalho, falta de trabalho nao há, nao querem é fazer contractos a ninguem é fisios estagiarios assim como enfermeiros...e fazem a vida assim á conta dos estagios...
estou farta de esperar por melhores dias!! a tal cunha que não tenho...
a falta de sorte...
os anos passam e o sonho de ser mae fica para trás...
somos tantos nesta situação!!
REVOLTEM-SE!!!
vamos nos juntar todos!!
30-05-2009 12:55
João disse...

Pá ninguém quer fazer um "Partido dos Escravos" para tomar o poder?

Era fixe eu até me voluntariava para crucificar uns patrões na Avenida Marginal.

moradas boas,mesmo boas!


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quarta-feira, 3 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ministra da Educação no Parlamento em clima de crispação

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1251638


http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1251638

Foi em clima de grande crispação que a ministra da Educação esteve, esta terça-feira, no Parlamento. Os trabalhos foram mesmo interrompidos após uma troca de acusações entre Maria de Lurdes Rodrigues e a deputada do Bloco de Esquerda, Ana Drago.
Tudo indica que está será a última ida de Maria de Lurdes Rodrigues à Assembleia da República, pelo que os deputados aproveitaram para fazer o balanço de quatro anos de mandato.

Crispada desde o início, a troca de palavras entre a oposição e Maria de Lurdes Rodrigues atingiu o auge quando, depois das críticas, a deputada do Bloco de Esquerda, Ana Drago, lançou a pergunta: «Eu gostaria de saber se a sra. Ministra estaria disposta a continuar como ministra da Educação se o sr. primeiro-ministro o convidasse?»

«É mesmo preciso aguardar aquilo a que se chama o processo eleitoral, os 'votozinhos' sra. deputada necessitam de ser contados», respondeu a titular da Pasta da Educação

Indignada com o tom da ministra, Ana Drago batia na bancada, o que levou António José Seguro, presidente da comissão a interromper os trabalhos.

No regresso a ministra da Educação retomou o tom, insistindo que «até os portugueses votarem nada está decidido, nem na minha cabeça nem na sua deve estar».

o Governo se José Sócrates reduziu o défice orçamental graças à


BBC afirma que Governo Sócrates cortou pensões e aumentou idade de reforma
02.06.2009 - 20h02
Por João Ramos de Almeida

Não, não se trata de nenhuma nova força da oposição. No site da BBC, onde se traça o perfil de cada país do mundo, é afirmado que o Governo se José Sócrates reduziu o défice orçamental graças à redução de pensões, aumento da idade de reforma e retirando benefícios aos funcionários públicos.

Segundo a BBC, o governo de Sócrates - empossado em 2005 depois de conseguir a primeira maioria absoluta para os socialistas - “traçou a sua pioridade em reanimar a economia – que se encontrava há anos quase na cauda das tabelas europeias – e travar o crescimento do desemprego”.

“Desde então, o seu Governo conseguiu reduzir profundamente as despesas públicas, através da redução de pensões, o aumento da idade de reforma e do corte de benefícios dos funcionários públicos, numa tentativa para diminuir um dos mais elevados défices orçamentais da Europa”.

“As reformas – que alguns acusam de estar a destruir direitos sociais – recebeu de imediato os protestos, na sua maioria dos trabalhadores do sector público”.

Quanto ao Presidente da República, o site da BBC sublinha o facto de Cavaco Silva ter sido o primeiro presidente de centro-direita desde “o golpe de 1974” e que conseguiu derrotar dois candidatos socialistas. Mas acrescenta que “o papel do Presidente é sobretudo cerimonial”, embora entre os seus poderes esteja a nomeação de primeiros-ministros, a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Bê de BRAGA!

dia 26 as 22:00 por sugestao da minha amiga ANABELA



fila I lugares 29/31....de oubidos bem labádos!

e ha mais:
http://www.velha-a-branca.net/contactos.htm

A MONS-TRA E A VE-LA

EU KERO É..... BERDE!!!!!!!!!!


olha que bem que eles se dão...



Cheira-me a negociata! (padres+ ex-ministros+ ex-punks + tecnocratas cagoes+ tax(CH)istas)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mais um que bebeu desta água destemida..



Marinho Pinto denuncia ilegalidades
17h25m


O bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, denunciou, em Portalegre, "práticas de ilegalidades gravíssimas" de uma "minoria" de causídicos.

"O Dia do Advogado é um dia óptimo para dizer isso. É o dia adequado para fazer essa denúncia e dizer ao povo português que pode confiar na maioria dos advogados", afiançou Marinho Pinto, frisando que cabe também à Ordem "denunciar a minoria", que, segundo ele, pratica as "ilegalidades".

António Marinho Pinto falava aos jornalistas à margem da sessão solene comemorativa do Dia do Advogado, no salão e congresso da Câmara Municipal de Portalegre.

As declarações do bastonário em Portalegre surgem depois de, em entrevista à estação de rádio TSF, ter denunciado existirem "indícios de que alguns advogados ou alguns escritórios são quase especialistas em ajudar certos clientes a praticar determinado tipo de delitos, sobretudo na área do delito económico".

Entre a "minoria", segundo o bastonário, encontram-se "alguns" causídicos de escritórios de advogados que "andam por ai a propalar valores, a falar como se fossem a reserva moral da advocacia", quando afinal "andam a contas com a Justiça por suspeitas de práticas de ilegalidades gravíssimas".

Questionado pelos jornalistas para apontar casos concretos, Marinho Pinto limitou-se a dizer que são "do conhecimento da opinião pública", incentivando os jornalistas a fazer "as contas".

"Há maus advogados como há maus jornalistas, médicos ou magistrados, como há maus políticos e governantes. Isto não é novidade nenhuma e é dever de cada um de nós, principalmente do bastonário, denunciar as situações em que advogados usam e abusam dos seus direitos e das suas prerrogativas em desfavor e detrimento de terceiros, em desfavor da legalidade e do Estado de Direito", declarou.

Lembrando que já na campanha eleitoral para a Ordem dos Advogados tinha abordado estas situações e perante a insistência dos jornalistas para que apontasse casos concretos, o bastonário afirmou que "alguns estão presos, outros até fugiram para o estrangeiro, outros estão a contas com a Justiça, outros estão condenados a prisão efectiva e esperam que as decisões transitem em julgado".

Para Marinho Pinto, o que faz falta é que a Ordem tenha "a coragem de denunciar publicamente" estas situações "para tranquilizar quem age correctamente e intranquilizar quem comete esse tipo de ilícito e ilegalidade".

Marinho Pnto justificou também que as suas denúncias servem para "defender os advogados honrados, que são a maioria".

"Noventa e nove vírgula nove por cento dos advogados são honrados, não merecem estar a ser tratados pela opinião pública como se fossem iguais a uma minoria que anda aí a abusar descaradamente das suas prerrogativas e que auxiliam alguns clientes a cometer crimes", acrescentou.

A atribuição de medalhas aos advogados com 50 anos de profissão e de um prémio literário assinalou hoje, em Portalegre, o Dia do Advogado, em que participou o secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Conde Rodrigues.

O Dia do Advogado, que incluiu também uma sessão solene na Sala de Congressos da Câmara Municipal de Portalegre e a atribuição de medalhas de Honra da Ordem dos Advogados (OA), surge numa altura em que a OA passa por momentos de tensão com o chumbo do Relatório e Contas da Ordem e do Conselho Geral.

Também as alterações ao Estatuto da classe enviado por António Marinho Pinto ao Governo com vista ao respectivo procedimento legislativo motivou críticas ao bastonário por parte de advogados e dirigentes da OA que alegam que a classe não foi ouvida sobre o projecto.

Os advogados António Maria Pereira (a título póstumo), Luís Catarino e Miguel Brochado Coelho receberam as medalhas de honra da OA.

O Dia do Advogado integra-se nas comemorações do Dia de Santo Ivo, padroeiro dos advogados.

there´s a woman in my ...... howww howwww....!!!




À PRIMEIRA TODOS CAEM....




(ja tengo duas reservitas, anabela...)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pensas que já viste tudo?



FRONTEIRAS DO GENERO- encontros de imagem ´09
Braga
No caso " "AINO KANNISTO"-potente! a incluir nas activades do prox ano lectivo

quarta-feira, 13 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

in PUBLICO hoje


CDS propõe fim dos professores titulares

11.05.2009, Sofia Rodrigues

Criar uma carreira única de docência - terminando com a categoria de professor titular - e ao mesmo tempo permitir que os professores optem por uma carreira alternativa é a nova proposta do CDS para apaziguar o clima nas escolas. A solução será colocada no site do partido durante as jornadas parlamentares do CDS que decorrem hoje e amanhã, em Aveiro.
A proposta de reestruturação do estatuto de carreira docente do ensino básico e secundário ficará disponível on-line para consulta pública nos próximos 20 dias, sendo depois transformada em projecto de resolução, que será apresentado à Assembleia da República. O CDS preconiza o fim da categoria do professor titular - uma das medidas do PS mais contestadas - mas ao mesmo tempo permite que os docentes possam escolher uma carreira alternativa que lhes conceda mais responsabilidades na escola.
"Acabamos com os constrangimentos nas escolas para criar um clima de paz", justifica o líder da bancada parlamentar dos populares, Diogo Feio.
Economia, agricultura e segurança serão outros temas que vão estar em cima da mesa durante as jornadas que contam com as intervenções de António Lobo Xavier (ex-deputado do CDS), Sevinate Pinto, (ex-ministro da agricultura) e de Leonel Carvalho, secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança.

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domingo, 10 de maio de 2009

ontem a ESA abriu-se


...e foi uma tarde diferente:de trabalho/súmula de experiências individuais - e onde ressalta algum entendimento e comunicação das vontades; das técnicas; dos resultados; esforços; frustraçoes; vaidades; comparações do eu e do tu. Como Lacan tão bem previu, "o Mito individual do neurótico". Mas também passadeira para os responsáveis e políticos, anunciando tempos de mudança, com sorrisinhos vazios e gargalhadas guturais completamente demodees, mas que, há boa maneira de Goya inspirativas de " Busto ou Tors já com barriguinhaa..."
Mas tb vi gente boa, gente humildade,franca e dada que apoiada no muito amor, vão colocando sementinhas onde a escola terá o seu melhor-melhor: os alunos!
Sinceramente, estive à parte. Sentado num cadeirao quasi tao antigo como a soma dos presentes, vi-os desfilar e - fora um beijo piludo, aqui ou ali - senti-me já um estranho, numa terra estranha!

86 negritos


"86 negritos" projecto artístico de Boris Hoppek, Boris conta a história de refugiados africanos que morrem nacosta de Espanha. "86 negritos" é um drama sobre o racismo e as políticas de emigração.

"86 negritos" project by Boris Hoppek , Boris tells the sad story of african refugees dying at the coast of spain."86 negritos" is a museal drama about racism and immigration politics.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

domingo, 3 de maio de 2009

MEC


À procura de nós

03.05.2009, Miguel Esteves Cardoso Ainda ontem

Só ontem vi dois cães abandonados. Vi duas vezes o mesmo old english sheepdog a correr pela estrada fora, com a pressa doida de quem ainda acredita que vai alcançar o carro dos donos que o deixaram ali num ermo. De manhã, apareceu na esplanada onde eu vou um velho sharpei de expressão esperançosa. Estudava a cara de toda a gente, como se quisesse ter a certeza de não se enganar na identificação dos donos, caso ali estivessem a esconder-se dele. Já não confiava que o reconhecessem.
Ele estava irreconhecível, de certeza, fora a coleira de onde tinham arrancado a morada. É injusto, mas são os cães que eram mais giros quando eram pequenos que metem mais dó. É o contraste entre a festa que lhe faziam quando eram cachorrinhos e a indiferença com que os abandonam quando se tornam cães.
É incompreensível que, numa época em que cada vez mais actividades humanas são proibidas, continuem impunes os abandonadores de animais. Talvez pudessem passar umas férias num canil da câmara? Como pode ser mais grave e mais castigado deitar um saco de lixo para a rua do que um animal dito de estimação?
Já que todos estamos cada vez mais documentados, porque não hão-de estar obrigatoriamente identificados com chips e registados os animais a nosso cargo? A maneira como tratamos e protegemos os bichos selvagens tem vindo a melhorar. Não será altura de começar a tratar melhor os bichos - como os cães e os gatos - que gostam de nós e que ainda pensam que gostamos deles?

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a nao perder...